quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Interior Notícias
Política

Flávio Bolsonaro e PL lideram divulgação de conteúdos com IA sem identificação em campanhas eleitorais

Levantamento aponta que a maioria dos conteúdos políticos criados por inteligência artificial não foram sinalizados, com Flávio Bolsonaro e o PL à frente na divulgação. O uso de deepfakes é predominante e o TSE proíbe a prática em propaganda eleitoral.

Publicado em 16/09/2026, 01:07

Flávio Bolsonaro e PL lideram divulgação de conteúdos com IA sem identificação em campanhas eleitorais
Foto: Agencia Brasil

Um estudo realizado pelo Observatório IA nas Eleições, iniciativa do Data Privacy Brasil e Aláfia Lab, revelou que cerca de 60% dos materiais políticos produzidos por inteligência artificial e publicados em redes sociais entre janeiro e agosto de 2026 não foram devidamente identificados. Essa falta de sinalização infringe as regras da Justiça Eleitoral, que exige a clareza sobre o uso da tecnologia. O levantamento analisou 413 conteúdos, classificando 250 como sátiras e outros 163 como desinformação.

O observatório expressou preocupação com a disseminação desses conteúdos sem o devido aviso ao público, tanto por parte dos publicadores quanto das plataformas digitais. Embora existam ferramentas de rotulagem, a moderação de conteúdos sintéticos parece ser insuficiente, permitindo que materiais enganosos ou manipulados alcancem grandes audiências.

Entre os usuários anônimos, a propagação de desinformação e conteúdos não sinalizados foi significativa. No entanto, entre os candidatos, o deputado federal Flávio Bolsonaro (PL) se destacou como o principal divulgador, com 13 publicações. Ele foi seguido pelo também deputado Mário Frias (PL-SP), com 10 menções, e pelo ex-governador Romeu Zema (Novo), com cinco.

O Partido Liberal (PL) foi a sigla partidária que mais impulsionou mensagens geradas por inteligência artificial de forma irregular, totalizando 28 publicações. O PT aparece com quatro compartilhamentos e o PSDB com duas, em um cenário onde a tecnologia é utilizada para influenciar o debate político.

A manipulação de imagens e vozes de figuras públicas, conhecida como deepfake, foi a técnica mais utilizada, representando 81% dos casos identificados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi o principal alvo, com sua imagem ou voz alterada em 112 publicações com conotação negativa. Flávio Bolsonaro também foi alvo frequente, com 57 manipulações registradas.

O deepfake é definido como um conteúdo sintético, criado ou alterado por inteligência artificial, que apresenta realismo e pode reproduzir ou modificar a aparência ou voz de pessoas. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já estabeleceu a proibição do uso dessa tecnologia em propaganda eleitoral, visando combater a disseminação de informações falsas e a manipulação da opinião pública.

#inteligência artificial#eleições#desinformação#deepfake#justiça eleitoral#redes sociais