quarta-feira, 16 de setembro de 2026
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Crise institucional ofusca debate eleitoral, alertam entidades da sociedade civil

A menos de um mês do pleito, representantes de entidades civis afirmam que disputas institucionais desviam o foco de propostas e problemas nacionais, prejudicando a discussão eleitoral.

Publicado em 13/09/2026, 14:00

Crise institucional ofusca debate eleitoral, alertam entidades da sociedade civil
Foto: Agencia Brasil

A proximidade do primeiro turno das eleições de 2026 coincide com uma escalada na crise político-institucional, que tem ofuscado o debate sobre propostas de campanha e os problemas estruturais do Brasil. Entidades da sociedade civil apontam que disputas que extrapolaram o Supremo Tribunal Federal (STF) e envolveram outras esferas institucionais dominaram o noticiário, as redes sociais e o cotidiano, desviando a atenção dos desafios nacionais.

A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, avalia que o debate eleitoral está comprometido. Segundo ela, o foco principal está nas repercussões da crise institucional no Poder Judiciário. Essa situação tem impedido que temas cruciais para o país recebam a devida atenção no período pré-eleitoral.

Na mesma linha, a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, lamenta que a agenda pré-eleitoral tenha sido tomada por temas não escolhidos pela sociedade. Ela destaca a lacuna em discussões sobre mudanças estruturais para o desenvolvimento nacional e a importância da ciência, que necessita de estabilidade e orçamento previsível. Garcia ressalta que discutir a integridade das instituições e o desenvolvimento nacional não são agendas excludentes, mas sim complementares.

Os entrevistados reconhecem a gravidade dos fatos decorrentes da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025. Embora defendam a apuração rigorosa das suspeitas de envolvimento de autoridades com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, as entidades ressaltam a necessidade de não permitir que essas investigações suplantem a discussão sobre as propostas dos candidatos.

Daniel Cara, coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, classifica as eleições deste ano como as mais importantes desde a Constituição de 1988, em um contexto global de reorganização produtiva e conflitos. Ele aponta que temas essenciais como desenvolvimento econômico, soberania nacional e uma agenda integrada de defesa, educação, ciência e tecnologia estão marginalizados, tanto no debate público quanto nos programas de governo, demonstrando, segundo ele, uma falta de compreensão dos candidatos sobre o cenário atual do Brasil.

Para a classe trabalhadora, a presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, elencou prioridades como o fim da escala de trabalho 6x1, a geração de emprego e renda, e a regulamentação da negociação coletiva no setor público. Serrano mencionou que as centrais sindicais já atuavam no Congresso para avançar com essas pautas, além de temas estratégicos para o desenvolvimento econômico e a soberania nacional, como o aproveitamento de minerais críticos.

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