Crise Climática e Escassez Alimentar Amplificam Risco de Conflitos Globais
Secas, eventos climáticos extremos e conflitos geopolíticos impactam a produção e o fornecimento de alimentos, elevando o potencial de instabilidade e guerras em diversas regiões do mundo.
Publicado em 05/09/2026, 14:00

O sistema alimentar global enfrenta uma pressão crescente, com pesquisas recentes identificando áreas de risco onde a escassez de alimentos, agravada por mudanças climáticas e conflitos, pode desencadear novas tensões. Secas severas e eventos climáticos extremos têm prejudicado colheitas, enquanto o fenômeno El Niño ameaça piorar a fome para milhões de pessoas. Simultaneamente, guerras e disputas geopolíticas interrompem cadeias de suprimentos essenciais para a distribuição de alimentos e insumos agrícolas.
A instabilidade nos mercados de grãos, exacerbada pela guerra na Ucrânia, e o aumento nos preços de combustíveis e fertilizantes devido a conflitos como o do Irã no Estreito de Ormuz, elevam os custos para agricultores globalmente. Especialistas alertam que a insegurança alimentar pode levar a disputas por recursos naturais, migrações e instabilidade social, especialmente em nações já frágeis, podendo culminar em conflitos armados.
Um novo estudo do Instituto de Análise Econômica (IAE-CSIC) e da Escola de Economia de Barcelona, através do Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima (Cadi), mapeia como as mudanças climáticas afetam a produtividade agrícola. As regiões tropicais apresentam as perdas mais significativas, com países como Camboja, Bangladesh, Burundi, Nigéria, Paraguai e El Salvador já sentindo os efeitos de reduções na produção de alimentos nos últimos 30 anos.
O pesquisador Hannes Mueller, um dos autores do estudo, destaca que o Norte da África é uma região de preocupação particular, com projeções alarmantes de declínio na produção. As estimativas indicam que, nos próximos 25 anos, quase metade da população mundial poderá residir em áreas com menor capacidade agrícola, intensificando a insegurança alimentar.
Contrariando a percepção inicial, a pesquisa do Cadi também sugere que o aumento da produtividade agrícola em certas regiões pode, paradoxalmente, elevar o risco de violência. Mudanças climáticas e outros choques alteram o valor de terras e recursos naturais, tornando áreas antes marginais mais produtivas e atraindo investimentos, o que gera nova competição pela posse e acesso, potencialmente semeando tensões mesmo em locais que parecem se beneficiar das mudanças.
Essas pressões combinadas têm o potencial de enfraquecer governos, forçar migrações em massa e facilitar o recrutamento por grupos armados. Em sociedades com instabilidade preexistente, esses fatores podem agravar crises, impulsionando populações para situações ainda mais precárias e aumentando a probabilidade de confrontos sociais e armados.
